CASTRAÇÃO: mitos e verdades (prós e contras)

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O que não falta são recomendações e campanhas referentes à castração de animais. Mas também não faltam certas indagações. A castração é mesmo necessária? Há contra-indicações? Boas perguntas – e aqui estão boas respostas.

Comunicação por Marcação

A marcação territorial é uma forma mais permanente de comunicação que ass posturas ou vocalizações. Permite que o gato deixe informações visuais e olfativas que permanecem por muito tempo após a sua partida. Desse modo, o gato pode delimitar espaço próprio para evitar encontros, encontrar o dono do território pelo cheiro e controlar a reprodução. A marcação territorial fornece informações a respeito do indivíduo e da identidade sexual, do tempo que o gato permaneceu no local e da fase do ciclo reprodutor desse gato.

Afinal, o que é castração?

A castração nada mais é que a extração dos testículos nos machos, e nas fêmeas a retirada do útero e ovários – de cães, gatos, seres humanos, bois e outros bichos – por meio de cirurgia, e pode ter várias finalidades, como remover doenças nos testículos e próstata, zerar a possibilidade de gravidez indesejada, reduzir a atividade sexual, a agressividade e a impetuosidade. Os testículos, além de esperma, produzem testosterona, o famoso hormônio que comanda o ímpeto sexual e a agressividade dos machos (daí o uso do verbo “castrar” como sinônimo de censurar e reprimir.

Além de se tornarem menos impetuosos, cães e gatos castrados exalam menos “cheiro de macho” / “cheiro de fêmea” e, portanto, são menos vulneráveis à agressão territorial de outros machos ou fêmeas.

Quando e como castrar

O felino pode ser castrado em qualquer idade, mas a melhor é bem cedo, por volta dos seis a oito meses de idade. Esse é o período aproximado da “adolescência”, quando o gato descobre o prazer sexual (além do “prazer solitário” de se esfregar em almofadas, pernas humanas ou o que mais aparecer). E é quando é menor a possibilidade de ele desenvolver tumores de próstata e hábitos agressivos como marcar território.

O felino, após um exame médico geral (inclusive quanto a sensibilidade a anestésicos), recebe anestesia geral, e normalmente não precisa permanecer no hospital, voltando para casa logo após a cirurgia – que dura cerca de meia hora. No caso de gatos Persas, é muito importante que a cirurgia seja realizada com anestesia inalatória. Com esse tipo de anestesia há poucos riscos pós-operatórios, como a vontade de ele lamber ou morder o local operado ou sair correndo e estourar os pontos. O felino pode precisar usar aqueles colares altos que o deixam parecendo um “abajur”, para evitar que ele mastigue o local operado. É bom evitar que ele se agite muito e verificar se há ruptura ou sangramento nos primeiros cinco dias após a cirurgia. O retorno ao veterinário para a retirada dos pontos costuma ser após sete a dez dias.

Nunca é demais lembrar: a castração não é reversível, e o bichano castrado não poderá mais gerar peludinhos. Cuidado com veterinários baratinhos cujo serviço pode sair caro.

Mitos da castração

A importante prática da castração costuma motivar mal-entendidos e equívocos; vamos comentar os mais comuns, na esperança de que se tornem cada vez menos comuns.

“Todo gato deve ser castrado”

Obviamente, felinos “empregados” como reprodutores, ou cujos donos queiram “constituir família”, não devem ou necessitam ser castrados. Afinal de contas, se todos fossem castrados a raça canina acabaria desaparecendo. Vale lembrar que no caso de gatos de pedigree, deve se levar em conta, reproduzir bichanos de mesmo padrão de qualidade oficial da raça,  para que não se desperdice a qualidade genética daquele de melhor padrão.

“A castração resolve todos os problemas de temperamento felino”

Não! A castração não substitui a socialização, apenas os complementa, e não deve ser interpretada como “fórmula mágica” ou “penúltimo recurso” (antes do sacrifício) para felinos que marcam território ou são muito agressivos (no sentido de anti-sociais).

“Castração faz engordar”

O que engorda não é a castração em si, e sim o aumento de apetite e conseqüente excesso alimentar que podem advir, além da preguiça e menos atividade em peludos mais pacatos.

“Fêmeas não marcam, apenas gatos machos”

A grande maioria dos machos quando não castrados até os 8 meses marcam território. Fêmeas também marcam. A marcação não é apenas dos machos.

“A castração é prática anti-natural”

Já não basta os seres humanos terem de ouvir que usar preservativo é pecado? Anti-natural é adotar um cão/gato e não lhe dar a atenção e conforto devidos! Posse “Responsável”!

“Gatos castrados param de marcar território”

Isso depende da idade do gato ao ser castrado e se ele ainda não havia começado a marcar território – ou seja, fazer xixi em locais para marcar o máximo de território. Entretanto, mesmo se castrados mais tarde, a maioria deixa de marcar território.

O IMPORTANTE É SABER QUE A MAIOR RAZÃO DO ABANDONO DE FELINOS É DEVIDO AO HÁBITO DA MARCAÇÃO DE TERRITÓRIO. Considere isso em sua decisão!

COMENTÁRIOS (2)

  • Veterinária Happy Dog.
    18/06/13

    É injusto manter um animal não castrado domiciliado, ele precisa dar vasão as suas necessidades sexuais. Sem castração ele será mentalmente torturado.

    Carlos Henrique
    CRMV/RJ 4010

  • Mariana
    13/07/15

    Meu gato tem 7 meses e começou a marcar território na casa inteira (sofá, colchão, edredom, travesseiros, cortinas), com a chegada de um novo (beeem novinho) filhote. Não sei mais o que fazer! Tô enlouquecendo com isso, pois além de tudo a casa está com um cheiro insuportável?
    O que fazer com meu gatinho mijão e com o cheiro espalhado pelos tecidos?

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