O Segredo da Longevidade dos Felinos

3

Os segredos de longevidade dos felinos, que podem chegar aos 30 anos

Leonardo Papini/Folha Imagem

O siamês Tom completa 20 anos no próximo domingo, o que equivale a 93 anos humanos

Na quarta idade
[por Deborah Giannini]

“Você ainda tem aquele gato?”, pergunta, estupefato, um amigo do artista plástico Eduardo Srur, 31, cujo siamês, Tom, completa 20 anos no próximo dia 2.

Srur e seu amigo tinham 11 anos quando Tom, o filhote mais arisco da ninhada, foi adotado pela família. Duas décadas depois, Tom continua “inteirão”, mas com um ar bem mais sereno, alguns bigodes retorcidos e o olhar cansado. “Ele nunca teve problema de saúde; só quebrou a perna uma vez e ficou engessado, quando meu irmão caiu em cima dele ao derrapar no tapete enquanto corríamos pela sala”, conta.
Isso faz mais de dez anos. Com a maturidade -20 anos felinos correspondem a pouco mais de 90 anos humanos-, Tom tornou-se mais tolerante (parou de morder estranhos, segundo o dono), mais “fresco” (só come o que o dono come, leia-se carne de primeira e frango desfiado) e bem mais dorminhoco -das 18 horas que um gato jovem costuma dormir, ele passou para cerca de 22, 23 horas.

Ultrapassar a barreira dos 15 anos não é para qualquer bichano. A expectativa de vida de um gato de rua é de cinco anos; de um doméstico, de dez. Segundo o “Guiness” deste ano, o gato mais velho do mundo se chama Creme Puff, ainda está vivo, mora nos Estados Unidos e tem 36 anos.

“Não é absurdamente raro um gato chegar aos 30 anos. Um bicho castrado e bem tratado consegue alcançar os 20″, afirma o biólogo Carlos Alberts, do laboratório de comportamento de felinos da Unesp-Assis. Com uma vantagem em relação aos cachorros: tendem a manter o aspecto jovem. “O cão é como o homem, sua aparência vai degradando com o avanço da idade, vão ficando com os pêlos brancos e envelhecidos; já os gatos não aparentam”, diz. O biólogo credita isso aos alongamentos diários dos felinos e a seu hábito da autolimpeza, que contribuiriam para a manutenção da flexibilidade e da percepção por mais tempo.

Cientistas ainda procuram nos genes a explicação por que um homem vive cinco vezes mais que um gato, que vive cinco vezes mais que um rato. Por enquanto, o metabolismo leva a responsabilidade. “Animais menores dispõem de metabolismo mais acelerado. Um rato, por exemplo, tem 200 batidas cardíacas por minuto, enquanto seres humanos têm, em média, 80.
No rato, o coração bate mais rápido, o consumo energético é mais acelerado; é como se o corpo se desgastasse a uma velocidade maior. Então é normal uma expectativa de vida pequena de, no máximo, cinco anos”, explica o biólogo. O que ajuda animais como jacarés e jabutis a alcançar idades muito avançadas, segundo ele, é o fato de serem pecilotérmicos, ou seja, de “sangue frio”. “Nesses bichos, a temperatura do corpo não é constante, muda conforme a temperatura ambiente e assim, o metabolismo é mais baixo por mais tempo, o que o desgasta menos”, explica.

Em qualquer animal, sejam tartarugas, gatos ou homens, estudos recentes estabelecem que a duração da vida depende 35% de fatores genéticos e 65% de ambientais. Para Eduardo Srur, o segredo de longevidade de seu gato foi o amor que recebeu em casa, o que faz certo sentido, segundo Luciana Deschamps, veterinária da Clínica Sr. Gato. “Um ambiente favorável para uma vida longa inclui um dia-a-dia sem estresse.”

O estado de estresse está diretamente ligado ao sistema imunológico; quando ele aumenta, a resistência física cai, deixando o organismo vulnerável a doenças. No gato, ele pode ser provocado pela relação com outros bichos ou com as pessoas da casa.

Velho gato
A contagem da idade felina tem uma lógica própria. Acredita-se que o primeiro ano de vida do gato corresponda a 16 anos humanos. A partir daí, calcula-se, em média, quatro anos humanos para cada ano felino. Por exemplo: um bichano de dois anos equivale a um humano de 20; três anos corresponderiam a 25. “Provavelmente esse cálculo, criado por amantes de gatos, se baseie na maturidade sexual, que é um ano para gatos e 15, em média, para seres humanos”, afirma Alberts. Segundo ele, um animal com idade entre oito e nove anos já é “bem vivido” (cerca de 50 anos humanos).

As doenças mais comuns relacionadas à terceira são as do coração, de insuficiência renal crônica, tumores e problemas de visão e audição. “A castração aumenta a expectativa de vida, pois previne câncer nos órgãos reprodutores e ainda diminui o comportamento sexual, que inclui brigas, no caso dos machos, e grande quantidade de cópulas, no caso das fêmeas, o que aumenta a chance de contrair vírus e bactérias.”

Para prever o futuro de um gato, é importante olhar o seu passado. Sua árvore genealógica diz muito sobre sua vida. “A característica da longevidade pode vir de família”, afirma a professora-titular aposentada Mitika Hagiwara, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.

Segundo ela, vira-latas tendem a viver mais que gatos de raça. A explicação é simples: a seleção de características como cor e pelagem, que determinam o padrão de uma raça, acaba tornando esses bichos mais suscetíveis a determinados problemas, como a má-formação óssea ou a predisposição a pedras nos rins; já em relação aos SRD (sem raça definida), ocorre o contrário: a seleção é feita ao acaso e a possibilidade de um problema genético é menor, pois um gato com “defeito” não teria conseguido sobreviver. Quem manda é a velha seleção natural.

COMENTÁRIOS (3)

  • Paulo Eduardo
    06/03/13

    Show de bola o texto, gosto muito de gatos, o meu morreu ha mais ou menos uns 6 meses, pense numa tristeza profunda, sem acreditar resolvi aceitar, e me conformar com a perda, apareceu de repente, e nós comessamos a cria-lo, ele era castrado, por isso acho que tinha uns problemas na bexiga, tipo dificuldades pra urinar, chegava a urinar sangue misturado com a urina, dava dó, nao sabia o que fazer, o unico jeito era esperar, pra ver se o problema era mais grave do que estavamos pensando que seria, mais vez ou outra ele ficava assim, mais logo ele se curava, ou escondia que estava doente; um dia ele nao conseguiu urinar de jeito nenhum, e passou a se deitar pela casa, ou em lugares distantes de nós, quando o procuravamos, ele respondia com um fraco miado, tipo “nao aguento mais”, e eu crente que ele iria se sair de mais uma crise daquelas de URINAR, cair na bobeira de deixa-lo recuperar-se sozinho, e naqueles ultimos instantes caiu a ficha de que meu gato nao estava mais aguentando aquela dor, nós sentiamos a dor pela fato dele nao miar mais, so abrir a boca, pelo fato de nos olhar com as pulpilas dilatadas pedindo socorro, ou ate pelo fato de balancar a cabeca de um lado para o outro sem saber o que estava acontecendo consigo mesmo, ou ate pensando, cade as minhas forças, cade o gato que corria arisco pela casa? Cade voces? Pra me ajudarem? Cade o mundo? Mais ja era a hora de partir daqui…
    Vi meu gato morrer e nao foi facil pra mim, espero que se preocupem mais com os seus gatos, e amem-os mais, do que eu amei o meu…

  • Enzo
    18/10/13

    Você nem ao menos levou o pobre gato para o veterinário? Ou tentou algum remédio? Os remédios para problemas urinários de animais são os mais comuns e existe diversas explicações na internet de como deve proceder e tratar.

  • Lia
    07/12/13

    Paulo Eduardo:

    Seu irresponsável, desumano e insensível. O pobre do gato agonizou com dores terríveis, quando bastava uma ida ao veterinário, que era o único que poderia ajudar.
    Depois, ainda tem a cara de pau de vir relatar os horrores, pelo qual o pobre do gatinho passou, tentando despertar compaixão.
    Vá se ferrar!!! Espero que nunca mais adote bicho nenhum, pois você não merece a benção de conviver com um.
    Assinado: dona de 6 gatinhos adotados e criados com muito amor e CUIDADOS VETERINÁRIOS.

Deixe um comentário