Gatos são seres solitários? Necessitam companhia?

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Algumas pessoas optam por ter um gato, porque os gatos podem ficar em casa sozinhos mais facilmente do que os cães, e em geral isto é verdade. Não é preciso levar o gato à rua, e é possível passar uma noite fora de casa sem que o gato sofra. No entanto, como os gatos são animais bastantes independentes, ganharam o rótulo dúbio de “solitários”, e infelizmente isto é levado à letra com demasiada frequência.

Muitos gatos passam os dias sozinhos e ficam gravemente afectados por isso, porque precisam verdadeiramente de contato social. A grande questão é que um gato Persa, que é especialmente amoroso, não deve viver sozinho! 

Cada vez mais casais optam por ter um filho único. Mas é um equívoco pensar que um filho único é a mesma coisa que um gato único. O filho único, mesmo sentido alguma falta de um irmão o que é bem comum, ainda tem a oportunidade de se relacionar com outras crianças nas escolas, nas áreas de lazer, etc. Já com o gatinho não é assim! Caso ele seja “filho” único, não terá chances de conviver com outros da sua espécie. Vale lembrar que na natureza os animais não vivem sozinhos, mas vivem em seus grupos. Até os Zoológicos procuram colocar pares de animais sempre que possível.

Por mais que amemos o nosso gato, por mais que lhe dispensemos cuidados, carinho e atenção, não nos é possível saciarmos a sua necessidade de companhia por outro bichano. Primeiro porque não somos um felino como ele, não brincamos com ele como outro felino brinca, não trocamos com ele lambidas e carinhos,  não ficamos juntos a maior parte do tempo, e assim por diante.

A maioria dos especialistas em comportamento felino concorda que gatos têm uma vida mais saudável e feliz se há outro felino na casa. Mesmo se eles não se tornarem amigos do peito, o simples fato de dividir a casa com outro ser da mesma espécie ajuda a quebrar a monotonia e solidão.

Claro que se eles se tornarem bons companheiros e brincarem bastante juntos, esse será um benefício adicional: terão exercício e entretenimento, que são necessários especialmente para os filhotes e jovens adultos. Muitos casos de brincadeiras agressivas contra o dono, assim como várias formas de destruição da casa, comportamentos indesejáveis como, por exemplo, marcação de território, podem ser evitadas se as energias do gato estiverem direcionadas para um companheiro.

Os jovens adultos (3-24 meses) têm uma forte necessidade de um “companheiro de farra”. Enquanto os donos de jovens machos hiperativos hesitam em adquirir um outro gato, aqueles que são tomados por um sobressalto de fé e adquirem outro jovem adulto geralmente encantam-se ao ver o quanto os meninos se divertem um com o outro.

Sempre que um gato, filhote ou adulto, muda de Lar,  ele passa por um duro processo de stress devido à viagem, à mudança de casa, à perda das pessoas que ama e confia, mas, especialmente pela perda dos amiguinhos que deixa no lar anterior. Caso ele não encontre no seu novo “Lar” um outro companheiro, um gato ou, pelo menos um cãozinho simpático, ele sofrerá muito!!! Ele precisa ter um companheiro, preferivelmente um felino, para poder brincar e ter companhia. Caso contrário ele sentirá solidão e a sua vida será um tédio pela falta de companhia de um companheiro. Ele se sentirá triste e depressivo, embora, talvez, não se manifeste e, por isso, não seja perceptível. Consequentemente, e, gradativamente, o sistema imunológico dele vai sendo abalado o que, com o tempo, abrirá portas a doenças oportunistas.

Outra possibilidade é o gatinho ficar exageradamente apegado aos donos o que lhe trará sofrimento em todas as ocasiões de separação. Não é incomum casos em que o gato passa a se mutilar, por exemplo, com lambeduras excessivas, na tentativa de chamar atenção daqueles que ama.

Muitas pessoas procuram ter um “Pet” porque desejam escapar da própria solidão, mas não se sensibilizam pelo gato que sofrerá de solidão se não tiver um companheiro.  Puro egoísmo…

Ronaldo & Fernanda

COMENTÁRIOS (2)

  • Claudia Tanner
    06/03/16

    Desde pequena sou muito gateira, porém uma das coisas que sempre tive cuidado foi com relação ao convívio do pet com outro da mesma espécie. Não acho impossível criar bem somente um gato, mas acredito que os animais são como seres humanos, e não vivem sozinhos, mesmo que façamos ou achamos que façamos tudo para agradá-los, porém vale lembrar que quanto mais seguro e interessante for o ambiente, e quanto mais distração o gato tiver, melhor o bichano se sentirá quando você não puder estar por perto, principalmente se não tiver muito tempo para dedicar a ele, seja por motivo de viagem, trabalho, estudos, etc. Segundo pesquisas, o gato chega a se sentir abandonado quando o dono fica muito tempo fora de casa ou não lhe dá atenção. Então, se ele tiver outro par para se distrair durante sua ausência, isso fará com que ele brinque mais, seja mais ativo, conviva com mais harmonia com outro pet, evitando o stress e ansiedade causados pela solidão. Sem contar que a socialização deste animal será muito maior. A prova disso é que hoje tenho 6 persas, começando com 2 irmãos, e sempre que agregava mais um à família, nunca tive problema de adaptação pois todos estavam acostumados a conviver com outros felinos.

    Sou totalmente favorável ao ditado que diz “Uma andorinha sozinha, não faz verão! ”- então compartilho a ideia de quem quer ter um gato, de que tenha pelo menos dois, eles serão muito mais felizes, e sua felicidade será em dobro – pode apostar!

  • Maisa Lopes
    06/03/16

    Olá Ronaldo e Fernanda!

    É com imenso prazer que dedico-me a escrever algo que sai diretamente do meu coração.

    Quando levamos o Simon para casa foi como se estivéssemos saindo da maternidade.
    Eram muitas as dúvidas e expectativas sobre aquele ser que a partir daquele momento (12/06/2014 com 6
    meses de vida) estaria aos nossos cuidados. Nada sabíamos sobre felinos mas, era imensa a vontade de descobrir as maravilhas deste universo.
    Os dias foram passando, aos poucos entendemos as necessidades do nosso pequeno e nossa vida tornou-se ainda melhor, regada a lambidas e a presença amorosa do Simon.
    Apesar de tudo caminhar bem, sentíamos que a solidão fazia parte da vida do nosso gato e isso não nos parecia legal. A maioria do tempo estava sozinho…
    Então, pensamos no segundo gato e surgiram novas dúvidas: a convivência seria amigável, haveria prejuízos a estabilidade (refiro-me ao território) do Simon ou até mesmo uma possível depressão e doenças…
    No entanto, resolvemos arriscar e oferecer ao nosso pequeno a experiência de conviver com sua espécie.
    Foi quando chegou a Bella (16/01/16 com 1 ano de idade).
    Linda, loira, alegre, proativa, elegante, amorosa, esperta, carinhosa, manhosa, brincalhona. Ela, simplesmente, fez a nossa vida melhorar ainda mais!
    O pequeno Simon (que de pequeno nao tem nada) na primeira semana sentiu-se enciumado, chateado, incomodado, curioso e, por vezes, perseguidor o que nos inspirava cuidados para que nada de mal acontecesse a Bellinha. Embora tenham se conhecido no gatil, em seu território ninguém havia adentrado, tudo era dele.
    O tempo, mais uma vez, mostrou-se soberano e os pequenos entenderam-se maravilhosamente bem.

    Atualmente, convivem em paz. Brincam, dividem os espaços, refeições, água e até o banheiro. Entre uma lambida e outra algumas briguinhas surgem, mas nada que denote intolerância de um ao outro. Correm pela casa, compartilham brinquedos, um se importa com o outro, entreolham-se e interagem.

    Saber que estão em casa, juntos, em companhia um do outro também nos tranquiliza e quando nos encontramos, trocamos muito amor e carinho.

    Quanta felicidade!
    Nosso lar é uma delícia!
    Nossos pequenos expressam satisfação em estar em nossa casa e em nossa companhia e também nos alegram muito. Além de colorir a vida dos nossos familiares e amigos.

    Enfim, só temos a agradecer, primeiramente, ao Pai da vida que nos concede a oportunidade de conviver com os animais e a vocês que, carinhosamente, nos acolheram e nos apresentaram o mundo encantado dos felinos.

    Desejamos saúde e vida longa aos nossos pequenos e à todos que fazem parte da nossa vida.

    Um abraço fraterno.

    Maisa, José Luis, Simon e Bella.

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