A razão do filhote ser liberado entre 16 e 24 semanas

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Um filhote deve ser liberado no mínimo com 16 semanas de idade. Nós temos visto os filhotes serem liberados a partir de 6 ou 7 semanas de idade. E devido a tantos anúncios dizendo que os filhotes com apenas 6 a 8 semanas estão “prontos para ir” pode parecer que esperar até 16 a 24 semanas seja tempo demasiado para se esperar. Mas não é!

Quanto mais novinho é um filhote mais mimoso ele é… A maioria das pessoas quer ter o prazer de poder vê-los crescer. Mas podemos prejudicá-lo permanentemente ao separá-lo cedo demais de sua mãe. Existem marcos cruciais (mental, emocional e de desenvolvimento físico) a serem alcançados entre 6 e 24 semanas.

Alguns criadores estão mais interessados nas receitas das vendas dos gatinhos e em diminuir os custos de mantê-lo por mais tempo do que na plena saúde e perfeita formação da personalidade do gatinho para sua melhor adaptação ao mundo.

Mas, separar o filhote de sua mãe, dos seus irmãozinhos e do seu ambiente cedo o levará, no mínimo, a “ansiedade” e “stress”, para não dizer a sérios problemas de saúde e no pior caso, à morte.

Potencias Problemas devido à separação Precoce.

Problemas com imunidade e saúde

Durante as primeiras semanas de vida o gatinho está protegido pelos anticorpos maternos transmitidos através do colostro da mãe, mas esta proteção diminui à medida que ele se desenvolve criando as suas próprias defesas imunológicas. Enquanto a proteção materna for elevada, os agentes patogênicos são eliminados por essas defesas. O sistema imunológico do gatinho permanece imaturo, ou seja, incapaz de produzir, de forma eficaz, os seus próprios anticorpos contra os microorganismos do meio ambiente ou de agentes de doenças infecciosas.

Para que o sistema imunológico possa se desenvolver e estimular a produção dos seus próprios anticorpos, é necessário um período de tempo para que o gatinho possa entrar em contato com os microrganismos sem a proteção conferida pela barreira imunológica dos anticorpos maternos.

É o período crítico, intervalo de tempo durante o qual a proteção materna diminui para níveis inferiores ao limiar de eficácia, enquanto que as próprias defesas do gatinho ainda não se encontram suficientemente desenvolvidas para fazer face a uma estirpe de agentes patogênicos.

Os gatinhos tornam-se sensíveis a todas as doenças infecciosas e em particular, àquelas contra as quais a sua mãe se encontra protegida. Nessa fase as vacinas são ineficazes, pois são neutralizadas pelos anticorpos maternos remanescentes no sangue, em quantidade insuficiente para proteger o filhote contra a doença mas suficiente para impedir a ação da vacina.

Deste modo, o período crítico constitui não só um desafio para o gatinho como também uma necessidade para adquirir autonomia do ponto de vista imunológico.

A fase de maior fragilidade do gatinho situa-se no início do período crítico, por volta de 4 semanas. O filhote começa a produzir os seus próprios anticorpos a partir da 5ª semana, atingindo um nível satisfatório aproximadamente aos 4 a 6 meses de vida.

Durante o período crítico, o gatinho é sensível:

aos microorganismos do meio ambiente
às doenças felinas infecciosas – particularmente a Coriza – mesmo se ele e todos os demais gatos tiverem sido vacinados.
aos parasitas: os ascarídeos possuem um ciclo de vida que influi uma intensa carga parasitária nos gatinhos.

A real preocupação da separação precoce é que o sistema imunológico do gatinho ainda está se desenvolvendo entre 8 e 24 semanas de idade. A imunidade vinda da mãe está acabando e a imunidade das vacinas está apenas começando. Nossos gatinhos recebem 3 a 4 doses de vacinas quádrupla contra Panleocopenia,  Rinotraqueite, Calici Vírus e Clamídia. Entretanto, a imunidade advinda da vacinação não acontece imediatamente. Leva-se um período de tempo para isso acontecer, e, mesmo assim, acontece de forma gradativa a medida em que os anticorpos do leite da mãe vão se esvaindo e permitindo a imunidade da vacina se desenvolver. Nesse período o sistema imunológico está ocupado demais em se desenvolver deixando o gatinho menos capaz de brigar contra outras doenças. O “stress” de ir para a nova casa e a exposição a outros germes pode fazer o gatinho ficar mais susceptível nesse período.

Aos 6 ou 7 semanas, quando muito, o gatinho tomou apenas a 1ª dose de vacina e, assim mesmo, antes do tempo ideal. O seu novo dono, via de regra, não tem a experiência e os conhecimentos necessários para cuidar adequadamente do filhote. Muitas vezes, por trabalhar fora, falta-lhe o tempo necessário para administrar os medicamentos necessários, por exemplo, os vermífugos. Ainda pode se descuidar esquecendo ou atrasando as demais doses de vacina o que poderá levar a resultados desastrosos.

Quando exatamente um gatinho está pronto para ir para seu novo Lar varia de gato para gato e de criador para criador. Alguns gatinhos simplesmente não estão maduros o bastante para viverem por sua própria conta até que sejam um pouco mais velhos.

Algumas pesquisas internacionais revelam que alguns gatinhos que não tomam a última dose de vacina após a 16ª semana não adquirem imunidade suficiente que perdure por um longo tempo. Além disso, os filhotes necessitam possuir mais massa corporal para se darem bem com a vacinação. Pensamos ser sábio iniciar a vacinação mais cedo (8 semanas), mas administrar-lhes de 3 a 4 doses de vacina sendo que, a última dose precisa ser sempre após a 16ª semana de idade. Somente após esse protocolo de vacinação for concluído é que liberamos os gatinhos para suas novas casas.

Do ponto de vista da Saúde, é melhor permitir aos filhotes tomar todas as vacinas onde nascem, no seu ambiente familiar e junto da mãe. Enfatizando, as primeiras vacinas não são suficientemente eficazes e os gatinhos necessitam de tempo para as defesas do seu  sistema imunológico mude completamente daquele que veio através do leite da mãe para o que se desenvolverá através das vacinas.

Problemas com aprendizagem de comer e eliminação

O desmame não é um evento. É um processo. O filhote não apenas começa a comer num determinado dia. Ele come um pouco de comida, mama, come um pouco, mama, e assim por diante. O gatinho passa a comer mais do que mamar e, então, finalmente ele para de mamar. Mas isso não acontece naturalmente entre a 6ª e 8ª semana de vida. Definitivamente não é verdade!

Deixando o filhote à vontade com a sua mãe, ela, finalmente, mas naturalmente, não o permitirá mamar mais. Para a maioria dos gatos isso acontecerá em algum momento entre a 8ª e a 12ª. Entretanto, esse processo é muito importante, uma vez que ensina o filhote a aprender a lidar positivamente com frustração e negação. Quando a mãe começa a recusar a permitir o filhote se amamentar, o que o filhote quer muito fazer, ela ensina o filhote como lidar com a frustração. Filhotes que não aprendam essa lição podem desenvolver problemas comportamentais.

O desmame não é simplesmente uma questão de dar comida sólida ao filhote. Esse é um importante período quando o filhote começa a adquirir a sua própria independência em relação à sua mãe. Esse precisa ser um processo gradual. A maioria dos nossos gatinhos se amamenta até 9ª ou 10ª semana, e não raro, além. Mas nós nunca tivemos um cliente nos ligando de volta reclamando de um gatinho em depressão, miando e triste pela falta de sua mãe.

É também comum que os gatinhos bem novos comam insuficientemente e tenham problemas no uso das caixas sanitárias. No primeiro caso é preciso alimentá-lo, por vezes, dando-lhe alimento na boca. No segundo caso, a maioria dos filhotes entre 6 e 8 semanas de idade ainda não usam a caixa sanitária consistentemente. É comum que apenas com 10 semanas eles aprendam a usá-la completamente. E a diarreia pode acompanhar as mudanças de alimentação e do “stress” que aparecem com a nova casa. Diarreia pode ser uma ameaça de vida para um pequeno filhote. A severa desidratação e a rápida perda de peso é um sério problema quando se o filhote possui ainda uma pequena massa corporal.

Problemas com a socialização e o comportamento

Pessoas freqüentemente expressam o desejo de ter um filhote novinho porque elas temem que o filhote não se adaptará com elas se forem mais velhos. Isto simplesmente não é verdade. Isso é um mito que precisa ser desfeito para que o gatinho possa ter a oportunidade de aprender com a mãe e ser saudável e sem “stress” ao máximo que for possível quando for para sua nova casa.

É verdade que um filhote que for separado muito cedo da mãe se apegará a uma pessoa dependentemente como se fosse sua segunda mãe. Isso pode parecer bonito, mas não é saudável. Tais filhotes freqüentemente tentaram amamentar nos cobertores, roupas, nas orelhas. Eles podem se tornar tão dependentes de humanos a ponto de se transformarem em medrosos e neuróticos quando ficam sós. Correm e se escondem à primeira vista de pessoas desconhecidas. Quando não são corretamente socializados não aprendem como ser com outros gatos. Isso os torna muito inapropriados com animais de estimação, e particularmente, onde houver outros Pets.

A fase de socialização do gatinho começa por volta das 4 semanas e continua até as 24 semanas de idade. Os filhotes aprendem a explorar seus mundos durante esse período, sob o conforto dos ensinamentos e acompanhamento da sua mãe. Entre 14 semanas de idade, eles aprendem de sua mãe e irmãos como interagir com outros gatos. Eles aprendem como reconhecer e interpretar a linguagem corporal dos gatos. Todo gato usa os dentes e as unhas em suas brincadeiras e carinhos. É na sua infância e com a sua mãe que aprende a dosar a força de sua “mordedura” e de sua “pegada” quando está brincando ou acariciando. Sua mãe o ensina a usá-las de maneira a não machucar o outro.

É nesse período que os filhotes precisam ser expostos a uma variedade de pessoas numa positiva maneira para que não se tornem gatos medrosos e inseguros diante de diferentes tipos de pessoas.

Literalmente, o gato que perde esse importante passo social pode não aprender a “conversar” com outros gatos. Os gatinhos se transformam em gatos ciumentos e inseguros, mostrando suas inseguranças indo ao banheiro em lugares inapropriados ou reagindo negativamente à presença de novas pessoas.

Finalmente, no caso do gatinho ter que ser enviado  para outra cidade via companhia aérea, a idade mínima exigida por questão de segurança são 4 meses completos. O risco da viagem é muito grande!  Já há alguns anos apenas a companhia aérea  TAM transporta gatos Persas. Todas as outras companhias deixaram de transportar gatos Persas pelos problemas de óbito que já aconteceram.

Ronaldo & Fernanda

“Família PetitGatô”

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